Os Índios Kaxinawa

Os Kaxinawa constituem uma etnia indígena localizada na fronteira brasileira-peruana, nos estados do Acre e sul do Amazonas e no leste do Peru, e falam a língua da família Pano, com pequenas variações na cultura e no idioma entre diferentes tribos. No Brasil, segundo o censo do ano 2000, existiam 1.400 habitantes desta etnia, enquanto no Peru a pesquisa de 1999 apontava para 3.964 habitantes.

Os primeiros relatos de contatos com viajantes consideram que os rios Muru, Humaitá e Iboiçu, afluentes do Envira, que por sua vez é afluente do rio Juruá, como região de origem dos Kaxinawa. Desde o século 18, colonizadores já realizavam incursões nessas regiões em busca de escravos. No fim do século 19, as invasões tornaram-se freqüentes em decorrência da exploração da borracha, intensificando-se no começo do século 20, trazendo mudanças de costumes, doenças e, consequentemente, conflitos. Alguns grupos decidiram ao longo dos anos permanecerem reclusos na mata virgem, isolados do contato com o “homem branco”, enquanto outros acabaram usufruindo deste contanto e utilizando recursos como machados e espingardas no seu dia-a-dia. Esse contato acabava por trazer diversas conseqüências, como populações de aldeias sendo dizimadas em até 75% de sua população pelo sarampo.

As atividades produtivas giram em torno da caça e pesca, do plantio e da colheita. Plantam banana, mandioca, feijão, amendoim e algodão em roçados. A caça é realizada exclusivamente pelo homem, sendo aprendida desde a infância, e cercada de técnicas e rituais, como observar os hábitos de cada tipo de animal, reconhecer seus rastros e imitar seus sons. A pesca é feita tanto por homens quanto mulheres, usando principalmente o timbó, cipó venenoso, que quando diluído na água, mata os peixes e faz com que saltem na superfície, tornando mais fácil capturá-los.

A arte Kaxinawa gira em torno do Kene Kuin, estilo de desenho que, utilizando tinta de jenipapo, adorna os corpos dos membros da comunidade em datas festivas. Esse tipo de pintura também é aplicado em objetos do uso cotidiano, como cestos e esteiras.

Os rituais festivos variam de acordo com a época e correspondem à época de colheita, fertilidade, passagem para a vida adulta e casamento, entre outros.

Os Kaxinawa baseiam sua visão xamânica no conceito do yuxin. Não vêem a espiritualidade (yuxin) como algo sobre-humano ou sobrenatural, mas incorporado às plantas e animais, enfim, à natureza que os cerca. Essa presença espitirual permeia todo o fenômeno vivo na terra, na água e nos céus, segundo a concepção Kaxinawa.

O uso ritual da Ayahuasca, considerado como privilégio apenas do xamã em muitas comunidades amazônicas, é praticado coletivamente entre os Kaxinawa, em busca de estabelecer uma conexão com o mundo espiritual (yuxin) e compreendê-lo. O xamã que procura conhecer e se relacionar com o yuxin é indispensável para o bem-estar da comunidade.



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